Seco inverno de níveo, largo manto...
Implacável geada o verde cresta!
Enquanto a pensar fico, em desencanto,
Passou, tudo passou, nada mais resta
Dos matizes rosados da natura,
Espetados pro ar, galhos deploram,
Simulam, longamente, a desventura
Pelos outonais dias que se foram.
Gélido vento sopra, aqui, hibernal,
Lufada após lufada, geme agora,
Fininho, na vidraça, tanto chora...
A flor, como eu, aspira, sem igual,
(Virgem vergel de vida viridente)
À verde primavera florescente.
Janeiro de 1974